Mood Board: A orientação do processo criativo.


Hoje irei falar sobre Mood boards, e para isso coloquei um artigo escrito por Taís Vieira, que é publicitária e tem um estúdio de criação chamado Logobrasil (http://www.logobrasil.com/). O artigo fala sobre a importância do Mood board no processo criativo e já esteve até no site da Revista ABC. Após o artigo coloquei minhas considerações.

Mood board – Um instrumento visual de apoio aos projetos de design

Processos de projeto em design apresentam características complexas e difíceis deserem descritas em etapas bem definidas. Não é possível determinar a receita quegarantirá o sucesso do layout final e isso acontece porque, ao iniciar um projeto, odesigner é inserido em um ambiente que conta com a coexistência de elementos,métodos e raciocínios lógicos e subjetivos, além de situações com as quais ele nãotem total controle. Enquanto alguns momentos caracterizam-se pela liberdade deescolha e uso de suas habilidades, em outros, o designer é surpreendido comeventos inesperados e/ou informações que fogem do seu domínio. Um exemplodisso é a própria compreensão das intenções do cliente ou ainda, a interpretação,criação e seleção de possíveis soluções que vão sendo empregadas pelo profissionaldurante a realização do projeto.Outro aspecto que define o caráter complexo dos projetos é a geração de novosproblemas a partir da superação de antigos problemas. A evolução de um projetode design acontece em um ambiente de natureza construtiva, no qual o resultadofinal se origina de um constante esforço de superação de obstáculos que geramnovos desafios. Conforme Kees Dorst (2003), pesquisador de processos de design,trata-se de um movimento de co-evolução no qual o designer vai desenvolvendopares de “problema – solução” que combinem a partir da interação de análises,sínteses e avaliações. Sob este ponto de vista, fica mais fácil compreender porqueo ato de projetar dificilmente pode descrito. Ele realiza-se a partir de reflexões edecisões tomadas durante o processo, articuladas com a experiência econhecimento próprios do designer envolvido.Nesse cenário, designers buscam a superação dos problemas de design apoiados namanipulação de diferentes estratégias visuais, como a busca de referências,desenvolvimento de sketches, além de instrumentos que auxiliam no surgimento deinsights criativos. Neste artigo vamos tratar sobre o mood board, uma ferramentaessencialmente visual que vem sendo utilizada pelo Design Estratégico devido àhabilidade de atuar como um mecanismo facilitador do pensamento. Segundoestudos, o mood board auxilia na definição e no direcionamento das ideias surgidasdurante um processo de projeto graças às imagens que ele sustenta.Essa ferramenta, representada na Figura 1, apresenta-se sob a forma de umquadro que combina uma série de referências visuais que apóiam a criação de umaatmosfera do projeto, principalmente em suas etapas iniciais. A própria palavrainglesa “mood” ajuda na compreensão desse instrumento, podendo ser entendidacomo humor, atmosfera ou mesmo um estado temporário de nossa mente.

Figura 1

O mood board é constituído pelo designer por meio de um processo de colagem que reúne fotografias, imagens de revistas ou Internet, amostras de tecidos, desenhos, objetos, texturas e cores que, conforme Garner & McDonagh-Philp (2008), conseguem exprimir emoções e sentimentos relacionados ao briefing em questão. Este é o aspecto essencial que faz do mood board um instrumento de apoio aos projetos em design. Diferente de uma colagem cuja reunião de figuras busca uma composição artística – como no caso de algumas obras cubistas de Picasso (1881-1973) e Braque (1882-1963) – ou de um simples painel que exibe diferentes estampas ou exemplos de cores a serem implementadas em um trabalho, as referências reunidas no mood board devem ter um sentido e uma intenção que facilitem a definição e direcionamento de ideias. Deste modo, a relevância da ferramenta está mais em seu processo de criação do que em sua aparência final, já que, enquanto o designer escolhe e fixa as imagens no quadro, o mood board lhe coloca em sintonia com o projeto, oportunizando a visualização de cenáriospossíveis.

A especialidade do mood board está no fato de que as imagens que ele exibe atuam como meios de comunicação bastante versáteis, capazes de construir códigos traduzidos em conceitos. Enquanto elementos muito próximos dos designers – freqüentemente usados nos projetos como referências e fontes de inspiração – as imagens permitem a interpretação de mensagens e acesso a sentidos através da interação que faz com quem as observa. No caso do mood board, as imagens facilitam a identificação e superação de problemas de projeto por incrementarem o conhecimento do designer. Ambos – profissional e ferramenta – estabelecem um diálogo enriquecedor no qual as imagens facilitam o acesso a sentimentos mais abstratos e a concepção de mensagens visuais mais profundas.

Pensemos, por exemplo, na atuação do mood board inserido no contexto de projeto de logomarcas. Sabe-se que a construção dessa importante extensão gráfica da marca requer buscar em seu discurso quais aspectos devem ser evidenciados. Trata-se, portanto, de um esforço para definir e tornar tangível (através de cores, tipografias e estilos) uma série de elementos até então abstratos. O designer atua em um ambiente subjetivo no qual a decisão pelo o uso do mood board pode facilitar o contato com sentimentos dificilmente adquiridos e explanados pelo uso de palavras.

Imagem da http://www.flickr.com/people/auntiep/ usado com permissão

O mood board apóia o designer através da articulação do pensamento imaginativo e do raciocínio por analogia, algo que ajuda na resolução de problemas complexos pela identificação de determinados aspectos através da articulação de aprendizados novos e antigos. Observar as imagens do mood board compreende um caminho de descobertas, uma ação de desmontar e reconstituir um objeto que jamais voltará a ser igual. Trata-se da construção de novos roteiros pelo ponto de vista de cada observador o qual associa as informações percebidas a uma série experiências, lembranças e objetivos particulares. O ato de coletar, organizar e visualizar uma diversidade de imagens que buscam “dar sentido” às ideias surgidas durante o processo de projeto, faz com que seus valores intangíveis sejam traduzidos e o designer tenha a oportunidade de explorar suas habilidades e conhecimentos tácitos, acessando referências e ações de trabalhos anteriores na busca por uma visão global do problema.

O mood board apóia o registro e a representação de pensamentos do designer. As referências visuais do instrumento expressam ideias mentais que vão sendo melhor formatadas através da combinação entre conceitos e as vivências do profissional. Nesse sentido, ele assume a forma de um “guia” que é acessado para a retomada ou exclusão de informações enquanto o processo de projeto se realiza. Como uma interface de comunicação entre designer e cliente, as mensagens expressadas pelo mood board ajudam a elucidar as argumentações e as interpretações do projeto.

Referências bibliográficas:

1. DORST, Kees. Viewpoint design research: a revolution-waiting-to-happen. Design Studies Vol. 29 Nº 1, Butterworth-Heinemann, p. 5-11, 2008.

2. GARNER, S. & MCDONAGH-PHILP, D. Problem Interpretation and Resolution
via Visual Stimuli: The Use of ‘Mood Boards’ in Design Education
.In:The Journal
of Art and Design Education, 20 (1) pgs. 57-64, 2001. Obtido eletronicamente em
http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aph&AN=4890007&site=ehost-live (1/9/2008)

Autora: Taís Vieira | Publicitária | Mestranda em Design pela Unisinos-Rs

No meu ver o Mood board é uma peça essencial na criação de identidades visuais, mas se criado estrategicamente. Antes de escolher as referencias colocadas no mood board precisa-se achar os marcadores somáticos (https://jonathadapper.wordpress.com/2010/01/11/marcadores-somaticos-e-logos-somatic-markers-and-logos/) que estão ligados a marca, assim você direciona não só o processo criativo, mas também o foco da marca. A parte de escolha de referencias para o Mood board pode ser começado já no briefing. Por exemplo, em meus briefings tem quatro perguntas que me ajudam a formar meu Mood board, são elas:

-Quais imagens estariam associadas a sua empresa?
-Quais coisas serviriam de metáfora para sua marca? (Objetos, Animais, Marcas, Carros, qualquer coisa…)
-Quais palavras estariam associadas a sua empresa?
-Se sua empresa fosse uma pessoa, como ela seria? Quais características?

Com essas perguntas respondidas você tem informações suficientes para fazer o Mood board. Uma coisa muito importante que quero enfatizar é que na solução proposta o símbolo da marca tem que estar interligado com as imagens. Par vocês entenderem melhor a importância de fazer um Mood board e de o símbolo da marca estar “conectado” com essas imagens eu coloquei um exemplo da coca-cola (esse processo não foi utilizado originalmente para a criação dessa identidade visual, é apenas um exemplo). Veja no exemplo como foi utilizado o Mood board e como as imagens agregam valor ao símbolo da coca-cola (garrafa).

Mood board:

Campanha final:

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1 comment so far

  1. […] da marca com os marcadores somáticos escolhidos, como comentei usando a referencia da coca-cola (https://jonathadapper.wordpress.com/2010/01/13/mood-board-a-orientacao-do-processo-criativo/). Abaixo, a grande referencia em identidade […]


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